Embarcações do século XVIII – Religiosidade

Coluna publicada no Jornal Diário da Manhã do dia 19/07/2014

Na tentativa de socorrer Colônia do Sacramento sitiada pelos espanhóis em 1735 até 1737, a metrópole portuguesa enviou frotas para recuperar e expandir o domínio luso no Rio da Prata. Neste breve coluna estudaremos alguns aspectos do cotidiano dessas embarcações, as dificuldades encontradas em efetivar os designíos da coroa portuguesa, a vida dos soldados e marinheiros, relações religiosas, assim como os problemas logísticos encontrados.

A metrópole portuguesa participou do esforço de guerra, pois circulava a notícia sobre o empenho de Castella e certificado, q. no Porto de Ferrol se preparavão duas Naos com gente, e bastimentos para engrossar o Campo, fazendo D. João V ordenar a ida de uma frota de socorro a Colônia do Sacramento. No dia 25 de março de 1736, zarpava de Lisboa uma pequena esquadra, composta de três naus, Nossa Senhora da Vitória, Nossa Senhora da Conceição e a fragata Nossa Senhora da Lampadosa sob o comando do capitão-de-mar-e-guerra Luís de Abreu Prego.

Logo que zarpou a frota já enfrentou seu primeiro temporal, coisa que seria comum em todo o restante da viagem, e parece que ensaiando-nos para o futuro, resultando em grande prejuízo e desespero entre os embarcados. Como grande boa parte da tripulação eram feitas de soldados não sendo experimentados na navegação lhe causava dobrado trabalho o grande enjoo que padecia, sendo necessário amarrar cordas no convés para que se segurassem. Os temporais poderiam durar vários dias, causando grandes problemas e por vezes, fazendo com que as naus da esquadra se perdessem de vista.

Em primeiro de abril, sábado de aleluia, com o tempo mais ameno, se fez missa e depois se abriu as instruções de Sua Majestade para a campanha do Prata, nomeando Luís de Abreu Prego como Coronel de suas Armadas. Três objetivos principais foram definidos, liberta Colônia do Sacramento do sítio espanhol, tomar Montevidéu e povoar a Baía do Rio Grande de São Pedro e campanhas circunvizinhas, que igualmente pertencem aos meus domínios.

Durante a viagem era constante a preocupação do comandante com relação aos preceitos religiosos, assim como entre os demais países católicos, tanto que observamos que até na menor embarcação era necessário um capelão. No dia 14, a vista das Ilhas Canárias, mandou o coronel comandante que todos fossem obrigados a se confessar dentro de 40 dias, o que se executou prontamente. Além disso, mandou que os militares se exercitassem alguns dias, para passar o tempo e se preparassem para o futuro, em que se faziam exercícios de fogo, e atirar ao alvo.

Notadamente, nem só de deveres era o cotidiano nas embarcações, pois também havia jogos, danças e festas, formas de passar o tempo e disfarçar o trabalho. Essa prática era comum entre os oficiais portugueses, que diante de um cotidiano de disciplina rígida, imposta pela vida no mar, davam espaços para a necessidade de extravasar as tensões a bordo utilizando as festas a seu favor, obtendo assim, o controle sobre os subordinados.

imagem coluna 19.07

 

Continua…

 

Rodrigo Salaberry dos Santos

Mestrando em História pela UFPel – PPGH

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *