Passo dos Negros e Ponte dos Dois Arcos

Coluna publicada no Jornal Diário da Manhã do dia 16/08/2014

(…)Estas lagoas recebem as águas de vários rios que nela entram e deságuam no Oceano.Pelo Rio Grande, o qual treze léguas acima da foz recebe as águas da lagoa mirim, que lhe são comunicadas pelo rio do São Gonçalo, o qual antigamente se chamava o sangradouro da lagoa mirim. (…)(…)As mesmas embarcações, que de ordinário são bergantins e sumacas ali carregam e descarregam as fazendas, que descem pelo rio São Gonçalo em hiates.(..).(…)O mesmo rio do São Gonçalo até a sua entrada no Rio Grande até a Lagoa Mirim corre  trinta léguas, em que recebe em si vários mais pequenos; e com todo este notável concurso de águas, se levam estas tão serenas e vagarosas, que facilitam a navegação e embarcações de remo e de vela, sendo pequenas, como hiates em razão do pouco fundo do mesmo rio em a maior parte de seu curso: não tem pontes mas tem três passos públicos em toda a mencionada extensão, nos quais a passagem de uma para outra banda em canoas,  que vendem  a coroa de Portugal os preços da rematação, feita  em hasta publica anual ou trienalmente, conforme querem os procuradores da fazenda Real. O primeiro passo se chama dos negros.(…)

Revista Princeza do Sul, junho de 1951; Acervo do IHGPEL

(…)O Governo para garantir a estabilidade das forças do exército sediadas em Pelotas manteve uma flotina de canhoeiras, atracadas no cais do Povoado de São João,”Passo dos Negros”, único Passo na margem do canal São Gonçalo, que dispunha de um serviço de balsas para o outro lado do vizinho município de Rio Grande. Esse lugar denominava-se “Povoação de São João”, e era também conhecido como Estação das Canhoeiras, Passo Rico ou Povo do Passo dos Negros.

No ano de 1820 foi levantada uma planta do local, contendo 3 ruas longitudinais e 3 transversais com os seguintes nomes: Rua do Campo, Rua São João e Rua da Praia e as transversais do Padeiro-da Divisa e do Jerônimo.

Em 1874 a Câmara tomando conhecimento de possuir ali um Logradouro Publico, cedido pelo governo da Província em 1834, com uma área de 200,20 ctm de extensão, designou o agrimensor da Câmara, sr, Romnualdo de Abreu e Silva, para fazer o levantamento do Local  e a regularização do mesmo.O transporte para Rio Grande , era atendido por via fluvial e terrestre em carros de bois e hiates á vela. Nas margens do São Gonçalo estavam estabelecidas as charqueadas. (…). Com o aparecimento dos navios a vapor e a condução da linha da estrada de ferro para Rio Grande, o “Passo” cedeu lugar e perdeu a importância.

Revista Princeza do Sul, junho de 1951; Acervo do IHGPEL

(…) Ficou a Câmara inteirada, resolvendo que se cumprisse oportunamente. Portaria da mesma Presidência nº 7, daquele mesmo mês, autorizando a Câmara a dispender mais a quantia de 1:753$840 reis com a conclusão dos bueiros da Estrada do Passo dos Negros: ficou inteirada. (…)Não havendo mais objetos, levantou-se a sessão.

Atas da Câmara Municipal, 10 de maio de 1854; Acervo BPP

  (…) A Comissão incumbida de emitir seu parecer sobre a proposta do Sr. Vereador Almeida, para que se mande abrir a estrada que vai da Costa de Pelotas ao Passo dos Negros no lugar fechado pelo Sr. Jacintho Antonio Lopes,é de parecer que sendo esta medida de reconhecida utilidade e público,seja quanto antes este proprietário obrigado a dar livre transito por dentro de seu estabelecimento, ou por terrenos que ficam por  de trás da mangueira de sua charqueada, aonde existem dois antigos valos que indicam o lugar em que deve ser aberta a referida estrada. (…)

Atas da Câmara Municipal, 19 de Dezembro de 1878; Acervo BPP

                                                             

 Organizado por Maria Roselaine da Cunha Santos

                                                    Presidente do IHGPEL

IMG_1981Foto: Gilberto Demari Alves

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