Cacimba da Nação

Coluna publicada no Jornal Diário da Manhã do dia 23/08/2014

No ano de 1815 foi projetada a primeira planta da freguesia, pelo agrimensor Maurício Inácio da Silveira. Com a chegada de pessoas que se acomodavam na nova povoação, tornou-se necessário a instalação de fontes de água potável para o consumo da população, gradativamente poços foram sendo escavados e as cacimbas públicas oficializadas pelas leis da Câmara Municipal.

Para abertura dessas cacimbas eram utilizados os recursos provenientes das multas aplicadas pela Câmara. Segundo Alberto Coelho da Cunha, essa verba era empregada nas obras: (ARRIADA, 1994)

(…) de um abastecimento de água potável, em proporções de abundância, para uso e gozo da população (…) o producto das multas arrecadadas mandava creditar metade para as obras de construção das cacimbas de água de beber. (…) o Governo da Província (…) das obras das cacimbas se desinteressava. (CUNHA, 1928)

A Câmara Municipal deliberava com frequência a respeito desses poços e cacimbas públicas. Na ata da Câmara, em 08 de janeiro de 1833, encontra-se o registro de uma determinação para “construir três ou quatro cacimbas em lugares próprios, com o intuito de servirem ao público”. (ARRIADA, 1994). João Simões Lopes Neto cita que “na Rua São Paulo (Lobo da Costa entre Almirante Barroso e Alberto Rosa) confronte a família Luschk havia uma grande cacimba chamada Cacimba da Nação”.

No Areal (areial), a Cacimba da Nação foi construída na região mais próxima de onde foram instalados os primeiros galpões para o fabrico do charque, em um grande descampado, abasteceu a população (negros e brancos) por décadas e décadas. Localizada no largo de encontro das avenidas Domingos José de Almeida, Barão de Corrientes e Rua Cap. Nelson Pereira, alterada totalmente em seu desenho original a Cacimba da Nação é ponto de referência aos moradores do lugar e está encravada em suas memórias afetivas. Sua localização e nome levam-nos a associar a sua construção, a mão de obra escrava, fato a ser investigado e estudado para chegarmos à verdade histórica.

Contam os moradores que quando a administração pública, através da subprefeitura do Areal, determinou o desaparecimento da Cacimba da Nação, a exemplo de outras na cidade, houve um movimento popular que impediu a sua destruição. A solução encontrada foi aumentar a mureta de proteção e aterrar o poço, transformando a cacimba em uma em floreira.

Famílias inteiras, por gerações construíram suas vidas no entorno da memorável cacimba, utilizando-a para uso doméstico, saciar a sede nas madrugadas, no retorno das festas, refrescando-se com suas águas nos dias de calor. Em 1943, suas águas não salinizaram na grande seca, o que não aconteceu com as demais cacimbas existentes na cidade e com o arroio Pelotas.

 

Nota: O material divulgado nos dias 16 e 23/8 neste espaço,são parte do projeto do IHGPEL para o Dia do Patrimônio, apresentado em banners e em exposição na BPP nos dias 16 e 17 de agosto

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